Foto: Papo Balzaquiano

Nos grupos feministas das redes sociais, gostei muito de umas postagens que li sobre algumas mulheres que quebraram o tabu e conversaram com a ex-namorada do atual namorado.

Isso porque é muito comum que alguns homens, ao serem questionados sobre os motivos que levaram ao término do relacionamento anterior, falem que a culpa foi exclusivamente da ex, porque ela era louca, doida, psicopata e não o deixava em paz.

Há muitas controversas nessas tais explicações, e quando abrimos mais a nossa cabeça, deixamos aquelas velhas “competições” entre nós mulheres de lado, podemos enxergar isso melhor.

Quando um relacionamento chega ao fim, raramente a culpa é só de um membro do casal. São atitudes conjuntas que fazem um namoro fluir ou ruir. Por que então esses homens fazem questão de jogar a culpa exclusivamente na mulher e ainda usar desse golpe baixo, acusando uma suposta “loucura” de sua ex?

Ou outra pergunta que podemos fazer: O que ele andou fazendo que possa ter causado esse estado emocional na sua ex, se for verdade o que ele diz? Será que ele teria a namorado se ela fosse loucassa desde o início? Ele realmente não teve um mínimo de atuação para que o relacionamento se tornasse insustentável?

Essas perguntas simples, mas que nunca paramos para refletir, mostram-nos que nunca é bem assim. E nos mostram também que, se um dia formos a próxima ex, o posto de “louca” será concedido a nós. Daí a importância de desenvolvermos ou reacendermos a nossa querida sororidade e procurar conversar com a ex, saber a sua versão, saber se ela está bem. Isso não significa que estamos passando por cima da nossa confiança em relação ao namorado. Até porque, se for verdade o que ele diz, a conversa com a ex só vai ser confirmada. Ele não deve se importar, porque nada tem a esconder. Porém, se ele se opuser a essa conversa, se ele “não permitir”, chatear-se e até brigar, bem, aí temos indícios de que há algumas verdades não ditas e ele pode estar fazendo algum tipo de jogo com as duas.

 

Eu sei que em todo término, nós tendemos a puxar a corda para o nosso lado, evitamos assumir realmente o que fizemos ou deixamos de fazer durante o relacionamento e tendemos a culpar apenas o outro, apontar o dedo sem nos enxergarmos como sujeito ativo para que tudo acontecesse. Eu também sei que há situações em que mulheres têm sim grande parcela de culpa e podem desenvolver comportamento de dominação, ainda que seja mais raro. Pode ser que tudo que ele me falou tenha sido, de fato, devido ao desequilíbrio emocional da mulher, sem que ele tenha contribuído para isso, mas pode ser que não. Por isso, a importância da conversa. 

Louca é outro adjetivo pejorativo bastante comum para definir-nos. O engraçado é que somos loucas quando não aceitamos coisas que nos fazem mal, que afastam nossa autonomia, que acabam com o nosso bem-estar, que diminui nossa auto-estima e que arruína o nosso amor próprio.

Somos loucas se não aceitamos uma traição, que nunca será vista como algo ruim pelo traidor, né. Por que o escândalo? Não foi nada.

Somos loucas se quisermos  um pouco de atenção no relacionamento, quando o que mais fazemos é dar atenção ao parceiro. Afinal, pra quê ser esse “grude”?

Somos loucas se nos opusermos às estripulias que o namorado comete de vez em quando… Qual o problema de num sábado à noite a gente não se encontrar e ele for se divertir com os amigos, sem dar quaisquer explicações. Pra quê esse “controle” todo?

Somos loucas se exigimos respeito. Se exigimos seriedade em relacionamentos que são coisa séria e que exigem sim dedicação por parte de ambos. Somos loucas por querer explicações sobre atitudes e comportamentos que nos fazem mal, que nos oprimem, que nos desrespeitam como seres humanos. Somos loucas quando queremos sentir também um pouco do amor que tanto sabemos dar.

Eu penso que sempre o nosso “sexto sentido” nos diz quando alguma coisa está mal explicada, está errada ou fora do lugar. Até para que o relacionamento atual se desenvolva e melhore, é importante que aquilo do passado que pode afetar o presente seja esclarecido, de forma verdadeira. Eu acho importante saber a versão da ex, principalmente se a forma com a qual o namorado conta sobre os fatos soe exagerada, injusta e discrepante. Nós não estamos imunes a sermos as próximas a sofrer e a ser demonizadas, e isso pode se tornar um ciclo vicioso.

Quebremos o tabu. Conversemos, então, quando sentimos que for necessário, com a ex do atual. 🙂

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