Foto: Anne Geier (créditos)

Atenção! Esse texto é um relato sobre a minha queda capilar, cujas causas foram diagnosticadas em consultório dermatológico. Quero compartilhar algumas saídas complementares naturais, mas é importante que, quem esteja sofrendo com queda capilar, procure um/a dermatologista tricologista, pois só esse/a profissional tem a capacidade de identificar as causas e as particularidades que envolvem cada caso.

Nunca se automedique! Isso pode, inclusive, atrapalhar o tratamento e agravar o problema. Os exemplos de medicamentos alopáticos e de remédios fitoterápicos que citarei foram prescritos após o meu diagnóstico.

Porém, sinta-se à vontade para considerar alguns tratamentos naturais, como a aromaterapia e os blends vegetais, como uma complementação, após o diagnóstico no consultório, claro! =)

Cabelos por toda a casa: no chão, no travesseiro, nos ralos. Fios caindo pelos ombros, escovas cheias, cenas horripilantes no chuveiro, chumaços saindo com um simples passar de mão. Há mais ou menos três meses eu venho sofrendo com uma queda capilar intensa, que me deixou extremamente preocupada, e não só pela estética. A queda capilar excessiva quase sempre indica um desequilíbrio interno que vem acontecendo no nosso corpo.

Fatores genéticos, nutricionais, hormonais, emocionais; infecções (inclusive por COVID-19), uso de certos medicamentos; pós-cirúrgicos (destaque para cirurgia bariátrica) e dietas muito restritivas (destaque para as de rápido emagrecimento): tudo isso pode ser uma causa para a queda capilar excessiva. Portanto, ela pode ser o sintoma de algo muito mais grave, e é essencial a procura de um/a médico/a dermatologista para descobrir as causas e iniciar os tratamentos necessários.

Um pouco da minha história…

Eu sempre fui muito cabeluda, muito mais que média das pessoas em geral. Tanto que meu objetivo, até os 23 anos, era o de diminuir o meu volume capilar. Para isso, eu recorria a escovas, chapinhas e progressivas. Quando criança, cheguei ao ponto de raspar uma parte do meu cabelo na região da nuca para diminuir o volume, considerado, à época, exagerado.

Mesmo com as químicas, durante a adolescência, o volume do meu cabelo continuava alto, e o ritmo de crescimento era intenso (hoje, um sonho!). Conseguia manter as madeixas sempre longas. Por isso, o ciclo anágeno* do meu cabelo era, provavelmente, de uns 8 anos.

Ao olhar as minhas fotos antigas, junto à profissional, notamos que esse volume começou a diminuir aos 26-27 anos, mais ou menos no terceiro ciclo capilar. O motivo, infelizmente, não foi dos melhores…

Minha família materna toda sofre com a chamada alopecia androgenética* (por fatores genéticos). Minha mãe sempre me alertou que eu poderia não escapar dessa sina. Nossos cabelos são exatamente iguais – cor, textura. Ela também era muito cabeluda na adolescência e quando jovem-adulta. A sua queda se intensificou no pós-parto (um gatilho bem comum, principalmente para o eflúvio telógeno agudo*).

O meu caso foi um pouco diferente e mais de um fator estava envolvido. Os principais gatilhos foram: a dermatite seborreica; o baixo estoque de ferro (ferritina baixa), precursor da anemia ferropriva; o desequilíbrio hormonal causado pela parada do anticoncepcional; e a alopecia androgenética. Vou falar um pouquinho sobre cada fator, e contarei as alternativas naturais para cada um deles.

Antes, contudo, gostaria de ressaltar o meu profundo interesse pela retomada dos conhecimentos ancestrais (e orientais) de prevenção e cura, que envolvem os estudos e o uso de plantas medicinais (fitoterápicos), como tratamento principal, integrativo ou complementar à alopatia. Considero ser de extrema importância um olhar mais holístico à/ao paciente, já que muitos dos nossos sintomas revelam desequilíbrios em várias esferas do nosso corpo.

“[…] a evolução da química sintética não elimina o reconhecimento das práticas tradicionais em saúde. O retorno às práticas mais próximas à natureza vem demonstrando uma tendência […] em resgatar tradições e heranças culturais na busca por melhor qualidade de vida”. (Plantas Medicinais, de Maria Zélia de Almeida. EDUFBA, 2003.)

Contudo, existe um ditado clássico, cujo criador foi Paracelso, que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Portanto, ainda que a fitoterapia seja menos agressiva e cause menos efeitos colaterais, não podemos abusar nas doses, nem nos automedicarmos. Não é porque é natural que, necessariamente, não nos fará algum mal. Se mal administrados, os remédios fitoterápicos (e os óleos essenciais) podem causar reações adversas, como alergias, irritações e hepatotoxidade. Consulte sempre um/a médico/a antes de iniciar qualquer tratamento.

O que é eflúvio telógeno?

O ciclo do nosso cabelo é composto por três fases. A primeira é a anágena, que é a fase de desenvolvimento e de crescimento dos fios. Ela pode variar de pessoa para pessoa. A minha, por exemplo, era de mais ou menos 8 anos! Mas ela também pode ser de 3, 5 ou 6 anos…

Segundo Fabiana Caraciolo, de 85% a 90% dos nossos fios, em um ciclo normal e saudável, encontram-se nessa fase.

A segunda fase é a catágena, que é quando os fios param de crescer e ficam em repouso. Essa fase dura mais ou menos três semanas.

Por fim, a terceira fase é a telógena, que é quando os fios se preparam para o desprendimento do folículo. Ocorre, então, a sua queda. Normalmente, cerca de 10% a 15% dos nossos fios estão nessa fase, que dura 3 meses ou mais um pouco.

No entanto, é importante lembrar que essas fases acontecem simultaneamente. Em um couro cabeludo saudável, enquanto ocorre a queda de um fio, um novinho já está se preparando para crescer.

Sempre escutamos que é normal que cerca de 100 a 150 fios caiam por dia. Isso seria uma situação comum para uma pessoa que possua 100.000 fios ou um pouco mais. Porém, esses números podem variar entre indivíduos. Para alguém que possua menos folículos capilares, uma queda de 100 fios pode ser excessiva, por exemplo.

É por isso que sabemos intuitivamente quando a queda se torna excessiva – percebemos que mais fios caem durante o banho e formam “bolinhos” maiores, mais cabelos ficam na escova e se espalham pelo chão da casa. Outras formas de percebermos o eflúvio é quando notamos uma diminuição no nosso volume capilar. Os rabos de cavalo ficam cada vez mais finos – se antes eu custava a dar dois nós com a buchinha, hoje eu preciso dar três ou quatro… Há pessoas que percebem entradas na parte frontal do couro cabeludo – este fica mais aparente. No meu caso, a queda é difusa, com uma perda de volume geral, mas sem falhas aparentes.

Essa quantidade caiu só no banho… No momento da escovação caíram ainda mais fios! =(

No eflúvio telógeno agudo, até 50% dos fios podem estar na fase telógena. Assim, o seu ciclo de vida é encurtado – é como se o cabelo não conseguisse crescer tanto, pois ele passa muito mais rápido pelas fases anágenas e catágenas. Esse acometimento pode durar até 6 meses. Em muitas pessoas, há uma regressão espontânea, principalmente quando a causa foi bem pontual: um parto, uma situação de estresse resolvida, uma infecção curada, a parada de um medicamento cujo efeito colateral era o surgimento de alopecia.

Contudo, é importante a investigação junto à dermatologista (que fará o exame de tricoscopia e de tração, por exemplo) e por meio de exames laboratoriais, pois podem existir causas ocultas tratáveis ou mesmo curáveis. O tratamento deverá ser, então, individualizado.

Não comece a tomar polivitamínicos por conta própria (como eu já fiz), pois isso em nada resolverá o problema. E não confunda queda de cabelo com quebra – eu demorei a procurar ajuda médica, pois pensei que a queda, bem como o afinamento capilar, eram consequências do excesso de tintura recebida pelos meus fios desde 2017. Porém, nem sempre as químicas são a única causa da queda capilar, ainda que contribuam – bastante – para tanto, principalmente aquelas que são aplicadas desde a raiz e que liberam formaldeído, como algumas progressivas.

Ajudas naturais contra a queda capilar – eflúvio telógeno agudo (não eximem o tratamento com medicamentos alopáticos)

Goiaba

Foto: Salon Line

O chá da folha de goiabeira ficou famoso na internet, por ter propriedades e nutrientes que agem contra a queda de cabelo. Basta ferver um punhado de folhas em um litro d´água por 20 minutos. Depois de esfriar, deve-se borrifar no couro cabeludo e massagear bem. Não há problema em retirá-lo somente no dia seguinte.

O hidrolato de goiaba também possui propriedades antiqueda e que estimulam o crescimento capilar.

Óleos essenciais

Os melhores óleos essenciais contra a queda de cabelo são o de cedro de atlas, que ativa a circulação sanguínea couro cabeludo; o de junípero, que tem propriedades adstringentes e elimina a oleosidade excessiva; o de louro, que é excelente para mitigar a alopecia; o de alecrim, que é vasodilatador e também estimula o crescimento; o de ylang ylang, que é um ótimo fortalecedor capilar; o de hortelã-pimenta, que estimula a circulação sanguínea local e, portanto, favorece o crescimento capilar; o de manjericão, que é bom para combater o afinamento capilar.

Pantogar

É um remédio eficaz contra o eflúvio telógeno, principalmente para causas desconhecidas. Portanto, se a queda de cabelo é causada por fatores genéticos, por exemplo, o Pantogar pode não resolver o problema, não obstante possa fortalecer os fios já existentes. Seus efeitos começam a ser notados a partir do 3º ou do 4º mês (informações da bula).

O probleminha do Pantogar é o seu preço: original da Biolab, a caixa com 90 cápsulas custa R$189. Porém, é possível manipular a fórmula em uma farmácia de manipulação confiável, por um preço mais acessível.

Consulte o/a seu/sua médico/a para saber mais como ministrar o Pantogar.

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