Foto: Discovery. Porcos são uns dos animais mais inteligentes do planeta! 😀

Atenção: Nesse texto vou compartilhar um pouco da minha experiência depois de ter parado de comer carne e esclarecer algumas dúvidas que eu mesma tinha anteriormente. Não é meu objetivo doutrinar ninguém! 🙂

A primeira vez que parei de comer carne foi em 2012. O período foi breve. Eu tinha 20 anos e após o primeiro exame que mostrou ter um pouco menos de hemoglobina no meu sangue do que o limite, eu sucumbi. Tantas eram as outras medidas que poderia ter tomado, que não fosse justamente aquela que ia contra o que acreditava e que me fazia tão bem. Porém, nunca é tarde para retomar um grande objetivo e viver do jeito que a gente se sente melhor, de acordo com as nossas convicções. E hoje eu sei mais sobre como é a dieta vegetariana, conversei com o endocrinologista sobre isso e tenho mais certeza dos meus ideais. Também consigo responder com mais firmeza algumas perguntas e dúvidas.

  1. Se você não come carne, você come o que, então?

Eu como praticamente tudo aquilo que uma pessoa não vegetariana come. Se formos comparar as pirâmides alimentares de uma pessoa vegetariana não estrita (eu) e uma não vegetariana, a única coisa que vai mudar vai ser uma pequena parte do penúltimo andar da pirâmide, que são os animais. A carne está distante da base da pirâmide e isso mostra que mesmo a pessoa que come carne tem que fazê-lo com moderação.

piramide normal
Pirâmide padrão e pirâmide vegetariana não estrita. Fonte: Ebah

Se formos parar pra analisar, as carnes não estão na base da alimentação padrão. Quis trazer um exemplo prático. Vamos pegar um prato básico de almoço (um PF): ele contém, geralmente, uma porção de salada crua; arroz; feijão; legumes e verduras cozidas; um acompanhamento, tipo batata frita; e a carne.

Assim, de 6 tipos de alimentos no prato, apenas 1 é carne. Isso quer dizer que eu como +- 83% do prato de um não vegetariano. Ou um não vegetariano come 83% do que eu como.

Assim, eu tenho uma infinidade de opções de comida pra comer que são as mesmas de uma pessoa “normal”. Claro que, no meu caso, eu aumento um pouco a quantidade de vegetais, de leguminosas e como ovo mais vezes por semana (eu não sou estrita). Também tenho que ser mais crítica na hora de escolher um lugar para comer. Eu seleciono mais aquilo que quero comer ou não, e isso é bom. É notável que as tais “junk food” são geralmente feitas com alguma carne. Não que eu seja uma pessoa saudável exemplar, mas muitas coisas que fazem muito mal já não fazem parte da minha dieta. É meio que isso que muda, apenas!

  1. Mas sem comer carne, você vai ficar desnutrida!

Praticamente tudo que precisamos para nossa nutrição completa se encontra na natureza, em alimentos vivos. A carne faz apenas uma mediação para adquirirmos aquilo que podemos pegar na fonte (peguemos na fonte, então!). Eu não sou especialista na área, mas pelas pesquisas que fiz, a única vitamina que precisamos que realmente provém apenas dos animais e de seus derivados é a B12. Só que não é necessário um alarde. Para quem é não estrita, como eu, a B12 se encontra nos ovos e no leite e derivados, em até grandes quantidades. O engraçado é pensar que, em relação à carne, onde tem mais B12 são em partes não muito populares dos animais, como fígado de boi, coração de galinha. Ninguém fica comendo isso todo dia (posso estar errada, mas não vejo muito esse cenário).

O único probleminha mesmo que pode acontecer é em relação às pessoas que são vegetarianas estritas (não comem ovos nem leite e derivados) ou veganas. Porém, isso pode ser resolvido muito rapidamente, já que há bons suplementos de vitamina B12 nas farmácias e a preços super acessíveis.

No mais, tudo aquilo que o animal comeu para adquirir seus nutrientes são vegetais e cereais, só que… Com a adição de muito antibiótico e hormônio. Se ele conseguiu os nutrientes desses alimentos, nós conseguimos também. Não precisamos comer o animal que comeu o vegetal. Enfim! 😛

  1. Carne é tão gostoso, não consigo vivem sem. Como você consegue?

Eu sempre achei que a carne, por si só, não é tão gostosa, não. Desde criança eu sempre rejeitei alguns tipos de carnes, como fígado, coração, dobradinha, peixe (na infância e adolescência), essas coisas. Na verdade, eu sempre quis comer carne que não parecia carne. E se formos parar pra pensar, se esse alimento não for bem preparado, adicionado com vários temperos e molhos, não se configuraria como algo comestível. No entanto, pra mim, hoje em dia eu não vejo mais a carne como algo comestível, em nenhum sentido. Mas isso por causa, não apenas do meu paladar (mesmo assim eu não nego que comia e gostava de algumas coisas, principalmente frutos do mar, depois de mais velha), mas devido às minhas convicções, e como sempre brinco, minha “filosofia de vida”.

Há tantos pratos saborosos que não levam carne em seu preparo… Há tantas alternativas, que realmente eu não sinto falta, eu não fico “tentada”.

~”~

Eu sinto que estou fazendo algo maior. O sacrifício de animais para a nossa alimentação é quase que desnecessário, se não for apenas para o prazer mesmo. Apesar de termos evoluído como carnívoros, nossa evolução é contínua, e depois que passamos a viver em sociedade, não fazemos mais parte da tal “cadeia alimentar”, que é uma das escusas para justificar a morte de animais para a alimentação do ser humano (pois os animais que se comem são criados para o abate, não estão livremente na natureza – ninguém mais fica caçando animais na selva pra comer, né? Fora que quando se caçava, era para comer e sobreviver, atualmente, é uma questão de deleite mesmo…).

É simples e fácil não comer carne mais. Por não me julgar superior a nenhuma outra espécie na Terra, eu não me sinto mais no direito de tirar a vida de outro ser para me alimentar, já que posso ter uma alimentação completa apenas a partir de alimentos vivos.

*com contribuições de Larissa Oliveira

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