Foto: Amigos de Patas (Créditos)

Já li ótimas reflexões sobre como nós mulheres pedimos desculpas por quase tudo, mesmo quando não possuímos absolutamente culpa por nada do que fizemos. Alguns textos parecem que foram escritos para mim, pois eu me vi em quase todas as situações.

Se eu esbarrava de levinho em pessoas no ônibus, ou quase nem encostava, eu já soltava um “desculpa!!”, e geralmente, nem davam bola pra mim. O pior é quando outras pessoas se esbarravam em mim e… Era eu quem pedia desculpas também.

Quantas vezes eu não pedi desculpas pela roupa que eu vestia, por achar que estava mal-arrumada, ou por não ter feito escova no cabelo nem passado maquiagem suficiente, quando ia para um encontro? E quantas vezes antes de dar minha opinião em alguma discussão, eu não pedia desculpa por ela (com certeza perdia muita credibilidade aí)? Quantas vezes no estágio eu não pedi desculpas para meus e minhas colegas ou superiores por pedir uma coisa que necessitava ou por simplesmente ter que conversar com eles e elas? E quando eu me esquecia de responder uma mensagem ou retornar uma ligação? Antes de qualquer coisa, ficava mil horas pedindo desculpas. Ah, ainda tinha aquela situação, quando eu não estava interessada por alguém que estava investindo em mim, pedia desculpas, sendo que, qual culpa eu tenho de não me interessar do mesmo modo por essa pessoa??

Sem falar quando eu achava que fui desagradável com alguém, ou chateei alguém, eu pedia tantas desculpas que acho que a situação se invertia. Deve ter também algo de não querer magoar quem eu gosto, evitar que a pessoa diminua o carinho e o sentimento que tem por mim, mas… Era muito exagerado.

Porém, isso não é algo que acontece exclusivamente comigo. Muitas mulheres sentem essa necessidade de pedir desculpas o tempo inteiro, porque parece que simplesmente, nós devemos desculpas ao mundo por… Existirmos.

Nós somos vistas a partir de uma perspectiva de subalternidade e submissão, e espera-se de nós que sejamos sempre passivas e obedientes, e qualquer coisa que afronte essa condição gera uma situação incomum, e por ela deve-se desculpar. Eu associo isso muito com os postos nos quais as mulheres costumam ocupar no mercado de trabalho, que estão nessa posição de sujeição, como os de secretaria, empregada doméstica, assistente administrativa. Sempre há um “patrão”, alguém a quem nós devemos nos dirigir e obedecer. Mas pode vir um sentimento de culpa e uma vontade de pedir desculpas mesmo às mulheres que ocupam postos mais altos nas empresas… Por estarem, justamente, em uma posição que não é usualmente ocupada por elas.

A passividade se relaciona com a “doçura” e com a “fragilidade” que se associam às características de uma mulher numa sociedade marcada pela dominação masculina. Se somos o contrário disso, somos transgressoras e, claro, não somos “mulher de verdade”. Quando não queremos ser “mulheres de mentira”, acabamos por nos encontrar em uma eterna tentativa de corresponder àquilo que esperam de nós… E pra isso, muitas desculpas são necessárias.

Não é verdade que esperam que a gente sempre ande sorrindo por aí e agradecendo por “elogios” que estranhos nos concedem ao simplesmente andar pelas ruas?

Nós não devemos pedir desculpas por aquilo que somos, quando queremos reivindicar nossos direitos, quando temos opiniões fortes, quando queremos ficar em paz. Nós podemos e devemos ter o controle das situações, mostrar confiança, força e objetividade em nossas conversas, em nossas ações, desligando-nos, definitivamente, da posição de submissão, subordinação, docilidade e quaisquer outros sinônimos que esperam que nos encontremos.

E o pior é que colocar um “desculpa” antes de tudo que a gente fale ou faça não vai mudar em nada… Se a gente incomodou alguém, não tem como mudar. E se a gente incomoda alguém por simplesmente sermos o que somos, devemos saber que isso é errado, e devemos enfrentar e alterar essa situação. Pedir desculpas em excesso num relacionamento também mostra que há um desequilíbrio… Afinal, se achamos que fazemos tudo errado ou que a pessoa possa se distanciar se não correspondermos ao que ela quer que sejamos, há, na verdade, uma relação de dominação, ou no mínimo um sentimento que existe a partir de condicionalidades, o que pode ser bem tóxico.

Hoje, eu tento me policiar para não falar essa palavrinha em excesso, porque acabou virando uma mania mesmo. Como sei que já não faz nenhum sentido, não me sinto culpada por não pedir desculpas por tudo e por nada… É, não vou pedir desculpas por enfim parar de pedir desculpas!

Esse vídeo é muito inspirador, e mostra que as relações são bem mais sadias e mais equilibradas quando as mulheres não se submetem demais a essa posição exagerada de subserviência. Essa campanha da Pantene foi muito aclamada pela crítica e foi maravilhosa por abrir nossos olhos!

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