Foto: Escreva Lola

A palavra da mulher nunca é creditada na sociedade machista, misógina e patriarcal na qual vivemos.

É sempre colocada em dúvidas, à prova. É sempre desprezada, desacreditada, distorcida, inferiorizada.

Num caso de estupro em família, por exemplo. Muitas meninas que sofreram com esse crime não comunicam a seus familiares, por saberem de antemão que serão tidas como mentirosas ou loucas.

Num caso de violência doméstica, tudo é colocado sob suspeita, todo o depoimento da mulher é visto com desconfiança. Mas ele não faria isso. É porque estava estressado. É porque ela o fez perder a cabeça. Ela está inventando para acabar com a vida dele. Ela está querendo dinheiro.

Mesmo quando há provas irrefutáveis da agressão, a mulher é encorajada, até mesmo pelos próprios delegados (extremamente mal-preparados para o atendimento em delegacia de mulheres) a retirar a queixa. Pense bem, ele é o pai dos seus filhos. Pense melhor, você vai acabar com a carreira dele. É isso o que você quer, acabar com a vida dele?

Não é em vão que grande parte das queixas contra os agressores é retirada pelas vítimas, que, quase sempre, voltam a conviver com seu agressor e as agressões, o desrespeito, a violência permanecem, o que pode culminar, não raro, em feminicídio.

Vejamos o caso do cantor sertanejo super famoso, Victor Chaves. Eu não tenho dúvidas sobre a veracidade do depoimento de sua esposa, Poliana Bagatini. Ali, tudo faz sentido. Eu me coloquei no lugar dela e eu não prestaria queixa se não tivesse realmente ocorrido o que ela falou. Eu não inventaria, eu não criaria um mundo paralelo. Por que ela faria isso, sabendo que o caso repercutiria tanto na mídia, devido à fama de seu marido?

Eu inverto o questionamento. Por que a mulher iria mentir a esse ponto? Ou, por que ela não prestaria queixa se ela foi agredida? É nosso direito e até nosso dever.

Eu vi o depoimento da mãe do cantor, sogra de Poliana. Ali, nada, absolutamente nada faz sentido. Eu vi o olhar desviante do cantor na entrevista feita por uma repórter no aerporto da Pampulha, aqui em BH. Eu senti uma culpa que pairava sobre o ar. Eu vi um único argumento raso e chulo, “eu não agrediria ninguém”.

Vi o apoio incondicional de seu irmão, que confia cegamente que Victor Chaves não teria agredido sua esposa. E vi também a dúvida sobre a sanidade de Poliana, associada a seu estado gravídico, como se isso fosse responsável por ela ter prestado a queixa. Como se ela fosse uma pessoa desequilibrada e que ela mesma tenha provocado tudo o que aconteceu.

Se os exames de corpo de delito comprovarem a agressão, não serão nunca divulgados. Se as testemunhas do prédio comprovarem a versão de Poliana… Serão descartadas?

Ela já “escreveu” uma carta se “desmentindo” tudo, com data de 2016, que só depois foi alterada para 2017…

Ele já escreveu uma musiquinha romântica e teve apoio de seus seguidores.

 

Espero que as investigações continuem, ainda que ela retire a queixa.

E continuaremos sempre a meter a colher!

 

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