Foto: Unimed Fortaleza

Muitas mulheres que passaram a adotar um estilo de vida mais natural colocam, na sua lista de produtos proibidos, o anticoncepcional.

A ideia é a mesma: livrar o corpo de qualquer componente químico, não natural, e que possui algum potencial patológico ou mesmo cancerígeno. Dessa forma, para que o detox fosse completo, seria imprescindível deixar de ministrar qualquer método contraceptivo hormonal.

Entretanto, antes de vilanizar o anticoncepcional e colocá-lo na mesma categoria dos parabenos, do BHT ou mesmo dos alimentos de origem animal, eu resolvi estudar um pouco mais a fundo sobre seus efeitos no nosso corpo. Da mesma forma, considerei, especialmente, a sua importância para a verdadeira libertação feminina.

O que são os contraceptivos hormonais e como eles atuam em nosso corpo

Atualmente, encontramos no mercado os mais diversos tipos de contraceptivos hormonais, mas todos possuem uma função principal: prevenir a mulher de uma gravidez indesejada.

Para isso, alguns contam com dois tipos de hormônio, os quais também são produzidos, naturalmente, pelo nosso corpo: o estrogênio (em sua forma de estradiol) e a progesterona (em sua forma de progestina, hormônio sintético semelhante à progesterona). Eles são conhecidos como contraceptivos combinados. Como exemplo, temos as pílulas, o anel vaginal e o adesivo. Porém, há outros que contêm somente a progestina. Como exemplo, temos a injeção, o DIU hormonal e o implante subcutâneo (conhecidos como contraceptivos de longa duração, tanto o DIU como o implante possuem a maior eficácia contra a gravidez não planejada!).

Ambos os hormônios possuem funções essenciais no nosso ciclo menstrual: o estrogênio é responsável pelo crescimento do endométrio, que tornar-se-á mais espesso e, portanto, apto a receber um futuro feto. Quando isso não acontece, o revestimento do endométrio “descama” e assim temos a nossa menstruação. Da mesma forma, o estrogênio tem seus níveis aumentados após o fim da menstruação.

A progesterona é o “hormônio de preparação para gravidez”: ela é sintetizada pelo corpo lúteo, entre o meio e o fim do ciclo, e mantém o endométrio crescido, espesso e vascularizado, para então receber o óvulo fecundado. Assim, enquanto tínhamos, na fase folicular e na fase ovulatória, uma maior produção de estrogênio, na fase lútea temos uma maior atuação da progesterona.

Vale lembrar que tanto o estrogênio, quanto a progesterona, interagem com outros dois hormônios produzidos pela glândula hipófise: o FSH (hormônio folículo estimulante) e o LH (hormônio luteinizante).

Ciclo menstrual completo

E é exatamente nessa interação que o anticoncepcional atua. Eu demorei muitos anos até descobrir isso! Acredito que sempre utilizamos anticoncepcionais guiadas, de certa forma, pela nossa intuição. Raramente temos boas experiências em consultórios ginecológicos, e passamos anos e anos da nossa vida sem realmente entendermos como funcionam os métodos contraceptivos hoje existentes.

Bom, o que temos é a progesterona, em forma de progestina, como a nossa maior aliada na contracepção. Ao ser ministrada pelos comprimidos – ou secretada pelo DIU hormonal, por exemplo – ela manda uma mensagem à nossa hipófise, para que esta não mais produza o FSH, nem o LH. É como se o nosso corpo estivesse sempre grávido! Assim, não mais ovulamos, enfim, não temos mais o ciclo menstrual.

Da mesma forma, a progestina também atua no impedimento para que qualquer óvulo fecundado se aloje na parede do útero, já que ela deixa o muco cervical mais espesso e a parede do útero mais fina¹. Por isso, uma mulher que usa o DIU hormonal talvez continue a ovular. Entretanto, se um dia o óvulo for fecundado, ele nunca conseguirá se desenvolver no útero, já que este se tornou inóspito.

E para que serve o estrogênio nos contraceptivos combinados?

Para aquelas que não possuem histórico de trombose na família ou não tenham algum fator predisponente, os anticoncepcionais com estrogênio são interessantes, pois eles “simulam” uma parte do nosso ciclo menstrual, e com um beneficio ainda maior: nós temos todo o controle sobre ele e sempre saberemos quando “menstruaremos”, ou melhor, quando teremos o sangramento de privação.

Sim, não poderíamos mais usar o termo “menstruação” porque, para qualquer tipo de contraceptivo, não há mais ciclo menstrual e, por conseguinte, não menstruamos mais. Aqueles que contenham apenas progestina podem, simplesmente, interromper qualquer sangramento. Algumas mulheres, contudo, continuam “menstruando” – já que o corpo produz o estrogênio normalmente -, mas não conseguem saber certinho quando o sangramento virá. Outras, com sorte, terão o sangramento de forma mais regular. Por fim, para essas três possibilidades, a definição é a mesma: todas são sangramento de escape³.

Porém, para aquelas que ministram um contraceptivo combinado, como eu, haverá, sempre no período da pausa (que pode ser de 7 dias, ou de 4 – a depender do tipo de pílula -, ou de quanto a mulher decidir, mas nunca mais do que 7 dias), um sangramento chamado de privação: é o sangramento por privação hormonal. Como o endométrio cresceu um pouco, devido à presença de estrogênio na fórmula da pílula, quando fazemos a pausa, teremos um fluxo bem parecido com a menstruação. Para muitas mulheres, apesar de não ser essencial menstruar, e de que isso não signifique, necessariamente, que não estejamos gravidas, é importante manter a “menstruação”, já que ela é algo intrínseco – e mesmo sagrado – ao corpo feminino.

Eu sou assim. Brinco que, apesar de ser uma menstruação fake, eu me sinto bem quando ela vem e não renuncio a ela!

Os tipos de hormônio progestina

Todos os contraceptivos trazem alguma dose de progestina, porém, existem diversos tipos dela, cada uma com efeitos positivos, outros nem tanto, a depender do corpo de cada mulher que o ministra, é claro!

Vou falar das duas mais importantes e mais comumente encontradas nos métodos contraceptivos populares.

A levonorgestrel é uma progestina sintetizada a partir da testosterona. Ela já está no mercado há muitos anos, e muitos contraceptivos a utilizam, como o DIU hormonal e o implante subcutâneo. Como vantagem, ela não afeta a libido; como desvantagem, ela pode aumentar a acne e a produção de pelos.

O acetato de ciproterona é uma progestina mais “recente”, sintetizada a partir da progesterona. Como vantagem, e combinada com baixas doses de estrogênio, ela é excelente para o tratamento de acne. Como desvantagem, ela pode causar uma diminuição da libido².

Nesses exemplos, ambas possuem outro efeito colateral positivo, que é a diminuição das cólicas, já que a progestina diminui as contrações do útero.

Dessa forma, cada mulher deve conhecer seu próprio corpo para, então, decidir qual método – e com quais tipos de hormônios – será o mais adequado. No meu caso, eu sempre tive problemas com a acne. Quando tomei um anticoncepcional com levonorgestrel, o problema só piorou! Foi só eu mudar para um que contém acetato de ciproterona para minha pele melhorar 110%. Da mesma maneira, eu acabo assumindo os riscos ao tomar uma pílula que contém estrogênio, mas só o faço porque as vantagens dela são maiores que as suas desvantagens. Nós somos livres para escolhermos qual o melhor método, e por isso é tão importante sabermos como os contraceptivos atuam em nosso corpo. Infelizmente, muitos/as ginecologistas não nos fornecem a atenção necessária, portanto, sou muito grata às mulheres que se dedicam a escrever sobre esse assunto em livros ou mesmo na internet!

Planejamento familiar e libertação feminina: rumo à verdadeira igualdade de gênero

Eu não gosto de vilanizar o anticoncepcional, pois, a meu ver, ele foi e ainda é um dos principais caminhos rumo à libertação feminina e à mitigação das desigualdades de gênero.

Aqui, eu faço um comparativo entre o planejamento familiar (o que também inclui o direito ao aborto legal, seguro e gratuito) e a inserção da mulher no mercado de trabalho: trabalhar fora nunca foi capaz de nos libertar das amarras do machismo e das trapaças da sociedade patriarcal, porquanto as mulheres jamais tenham deixado de exercer, sozinhas ou de forma principal, as tarefas domésticas.

Da mesma forma, as mulheres mais pobres sempre trabalharam fora de casa, majoritariamente em subempregos, de maneira informal, em condições degradantes e com baixos salários, e isso, ao contrário de libertá-las, só as deixam presas em um sistema exploratório completamente desigual.

Mesmo para as mulheres mais ricas, a desigualdade salarial é um grande problema com o qual a maioria se depara. Ademais, muitas acabam encarando o trabalho como algo secundário, sobretudo quando a renda do companheiro é a principal, e a sua, apenas a complementar.

Por fim, não é incomum que muitas mulheres deixem de trabalhar, ou acabem explorando o trabalho de outras mulheres, quando tem filhos. Assim, o trabalho remunerado, infelizmente, não tem a capacidade de mudar completamente as dinâmicas de poder, de domínio e de opressão às quais as mulheres de todas as classes e raças (cada uma com as suas peculiaridades e dificuldades) estão submetidas. Entretanto, o planejamento familiar é capaz de fazer isso!

Quando uma mulher decide se, quando e com quem ela terá filhos, ela exerce o controle máximo sobre o seu corpo e sobre os rumos de sua vida. Em um cenário ideal, ela poderia retomar os estudos outrora interrompidos; poderia dedicar-se integralmente à sua profissão; poderia não criar vínculos com parceiros violentos e abusivos; teria um maior controle com as suas finanças; enfim, dedicaria o seu tempo mais a si mesma.

A revolução sexual

Quando o anticoncepcional surgiu, na década de 1960, ele causou uma verdadeira revolução para as mulheres. Fazer sexo não mais significaria uma potencial gravidez. Isso também possibilitou que as mulheres escolhessem seu parceiro “para a vida toda” não sem antes conhecê-lo sexualmente falando! Ainda que já estivesse casada, a mulher não seria mais vista como uma “máquina de parir”. O único problema é que, com a segurança sobre a contracepção, muitas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) se tornaram uma realidade para as mulheres sexualmente ativas – mas isso é assunto para outro momento!

Os anticoncepcionais surgiram com uma alta dose de hormônios em seus comprimidos. Os efeitos colaterais para as mulheres deviam ser bem piores do aqueles que ainda hoje nós sentimos! Houve muita pesquisa e muitos avanços e, atualmente, as doses de hormônios são bem mais baixas. Da mesma forma, é muito mais seguro utilizarmos os métodos contraceptivos existentes no mercado.

Primeiro anticoncepcional

Já me perguntei várias vezes porque pessoas tão brilhantes não tiveram a mesma ideia para os homens. Já li diversos artigos sobre o quanto os contraceptivos masculinos seriam eficazes e trariam mínimos ou nulos efeitos colaterais para uzomi. Porém, sabemos que a responsabilização sobre uma gravidez recai sempre à mulher. Assim, foi difundida essa ideia de que também seríamos as únicas responsáveis pela contracepção. Some-se isso à ideia de que somos mais responsáveis, maduras etc.

Muitas vezes, nem a camisinha os omi querem carregar consigo… É muito complicado. E não adianta: quando estamos em um relacionamento estável, e após ambos terem feito os exames necessários, dificilmente usaremos camisinha todas as vezes que tivermos uma relação sexual com o nosso parceiro. Isso, contudo, não vale para as pessoas solteiras: a camisinha é mais que essencial, pois é a única capaz de nos proteger contra ISTs.

Bom, voltando ao relacionamento estável: métodos naturais (como tabelinha ou coito interrompido) não deveriam nem ser cogitados para aquelas e aqueles que não planejam ter nenéns. Pela primeira vez me deparo com coisas naturais que eu não quero usar… (snif snif). Portanto, mulheres, nós ainda devemos ser gratas ao anticoncepcional. Ele ainda nos salva, ele ainda nos liberta. No fim, tudo deve ser encarado como uma questão de conhecimento e de escolha correta.

Por falar nisso, a desigualdade entre as classes é bem verificada na utilização correta dos anticoncepcionais. Infelizmente, faltam explicações em como utilizar, de maneira perfeita, os diferentes métodos. Não basta apenas entregar à mulher uma cartela de compridos sem explicar que eles devem ser tomados todos os dias, no mesmo horário. Que o primeiro comprimido deve ser tomado no mesmo dia em que veio a menstruação. E que se a mulher se esquecer de algum, ela pode não estar mais protegida. Ou que a injeção só é eficaz se tomada todo mês ou a cada 3 meses, e que, da mesma forma, após esse período, a mulher não estará mais protegida. Ou ainda, que existem outros métodos até mais seguros, como o DIU hormonal ou mesmo o de cobre (este não contém qualquer hormônio).

Não obstante, existem medicamentos que podem interagir com a pílula, como alguns antibióticos, e nem sempre isso nos é aviso dentro dos consultórios. Da mesma forma, se tivermos uma diarreia forte ou episódios de vômito dentro de quatro horas da ingestão da pílula, ela pode ter o seu efeito cortado.

A maioria das mulheres pobres, que teve uma gravidez não planejada, estava utilizando algum tipo de contracepção, porém, de maneira errada. O problema não está no método, e sim no seu uso. O problema não está em a mulher não querer ou não se preocupar com a contracepção, mas sim em uma falha da saúde pública em orientá-las corretamente.

Nosso corpo: a máquina perfeita, mas que está sujeita a falhas

Eu sempre me referi ao nosso corpo como uma máquina perfeita, que inclusive inspirou muitas invenções industriais e tecnológicas. As câmeras fotográficas nada mais são do que a tentativa de reprodução da captação de imagens pelos nossos olhos.

Porém, essa máquina perfeita ainda está suscetível a distúrbios, doenças e deficiências. Portanto, pelo menos alguma vez em nossas vidas precisaremos corrigir essas falhas, e teremos de recorrer a medicamentos. Estes não necessariamente precisam ser alopáticos. Atualmente, o que mais admiro é a medicina natural – e muitos conhecimentos são advindos da sabedoria feminina! Também sou entusiasta da homeopatia e da aromaterapia!

Contudo, existem doenças que precisam ser tratadas pelos métodos ditos tradicionais. Quando tive hipertireoidismo, tomei por três anos hormônios sintéticos, semelhantes àqueles produzidos pela tireoide. E é aqui que faço uma comparação com o anticoncepcional: muitas pesquisas foram feitas para que esses hormônios sintéticos se tornassem idênticos àqueles produzidos naturalmente pelo nosso corpo e, portanto, não nocivos a ele.

Da mesma forma, os anticoncepcionais são bastante eficazes para o tratamento de doenças como a endometriose e a síndrome do ovário policístico. Não obstante, eles também podem prevenir algumas formas de cânceres, como o do ovário e o do colo do útero [4]. 

Assim, antes de torná-lo apenas vilão, é importante ressaltar que os anticoncepcionais podem ser eficazes contra o tratamento de doenças comuns a mulheres, em diferentes fases da vida. Ao atuarem dessa forma, eles são bons aliados da nossa fertilidade.

Outros efeitos colaterais positivos dos anticoncepcionais

Ainda que não estejamos em um relacionamento e, portanto, não estejamos preocupadas com uma eventual gravidez indesejada, os anticoncepcionais podem nos trazer outros benefícios.

Eu sempre sofri com cólicas fortíssimas, daquelas que não me deixavam levantar da cama! Desde a adolescência, também sofria com acnes e excesso de oleosidade no couro cabeludo, como já contei por aqui! Mesmo na minha fase jovem adulta, eu passava por períodos em que pipocavam espinhas no meu rosto. Portanto, quando decidi tomar o anticoncepcional, a contracepção não foi o fator mais determinante.

Entretanto, depois de alguns anos, eu decidi parar de tomar o “anti” (meu apelido carinhoso à pílula, rsrs). Também havia escutado algumas mulheres que começaram a tomá-lo bem antes de mim, e que estavam solteiras, que queriam “dar um tempo nos hormônios, deixar o corpo respirar e se desintoxicar”. Da mesma forma, tomar o anticoncepcional quando não se está preocupada com a prevenção de uma eventual gravidez pode parecer “perda de tempo” e até de dinheiro, já que é mister considerar que sem disciplina e uma boa memória, esse método está sujeito a muitas falhas: todo dia, no mesmo horário, lá estamos nós tomando a pílula.

Minha primeira menstruação sem o “anti” foi um terror: muitas cólicas, uma enxurrada de sangue e 780645 espinhas na cara! Conclusão: não aguentei 1 mês e voltei! Contudo, isso não é muito legal. Segundo as pesquisadoras Nina Brochmann e Ellen Støkken Dahl (2017), é exatamente nos primeiros meses que o anticoncepcional tem seus efeitos colaterais mais negativos. Elas também lembram que nunca sabemos quando entraremos novamente em um relacionamento sério e é justamente em pausas e trocas de contraceptivos que as mulheres possuem altas chances de engravidar.

Portanto, antes de decidirmos cortar de vez o anticoncepcional, podemos balancear os ônus e os bônus; podemos tentar encontrar uma alternativa entre os mais diversos métodos; ou, se realmente pararmos com os métodos hormonais (quando não temos nenhum outro motivo para usá-lo), devemos nos comprometer a usar, em todas as relações sexuais, os métodos de barreira física.

Os efeitos colaterais negativos…

Muitas mulheres deixam de usar os métodos contraceptivos hormonais devido a diversas queixas, como inchaços (retenção de líquidos), dores de cabeça, enxaquecas com aura, falta de libido, alterações no humor (e até depressão), medo da trombose, entre outros. São numerosas as pesquisas feitas por cientistas, em vários países, que buscam alguma explicação dos motivos pelos quais as mulheres sentem esses efeitos negativos quando tomam o anticoncepcional.

Desde que li mais sobre mulheres que tiveram trombose, muitas que até morreram por conta disso, eu passei a me preocupar mais e cogitei várias vezes em parar, de vez, de tomar o anticoncepcional. Como nunca consegui cumprir essa promessa (rsrs), eu me dei o limite de até os 35 anos para usá-lo, já que os fatores de risco aumentam com o passar dos anos. Teve uma época em que eu estava tão neurada, que cheguei marcar uma consulta para saber se eu tinha o Fator V de Leiden, que é uma mutação genética que causa uma predisposição à formação de coágulos no sangue e à trombose.

Quando eu fazia pole dance, durante as aulas, conversávamos muito sobre as diversas questões que envolvem o corpo feminino. No dia em que o assunto foi a contracepção, lembro que a professora horrorizou quando eu e outras alunas dissemos que tomávamos o anticoncepcional “tradicionalzão”. Ela já havia colocado o DIU hormonal há um tempo, o que foi uma revolução para ela! Podemos dizer, então, que o DIU hormonal é a revolução dentro da revolução (rsrs)!

Isso me fez pensar que, antes de abolir a utilização de algum método contraceptivo, eu devo lembrar que há alternativas até mais seguras, mais modernas e duradouras, e com uma carga de hormônio bem menor, como é o caso do DIU hormonal e do implante subcutâneo. Uma alternativa sem hormônio seria o DIU de cobre: porém, ele pode aumentar a contração do útero e, assim, as cólicas se tornam mais fortes, bem como o fluxo menstrual se torna mais volumoso, o que não é uma alternativa viável para mim – mas pode ser para outras mulheres.

Por fim, sempre podemos recorrer à camisinha (infelizmente, é muito difícil encontrar uma marca vegana no Brasil), que, se usada corretamente (e em todas as relações, desde o início, mesmo durante a menstruação), além de evitar gravidezes, é a única que nos protege contra ISTs (exceto o HPV – só estaremos imunizadas contra os tipos de vírus que mais causam o câncer do colo de útero se tomarmos as 3 doses da vacina, de preferência, antes dos 26 anos).

Sagrado feminino x menstruação e a sua falta

Desde que comecei a me interessar mais pelos estudos do sagrado feminino, lá estava eu querendo entender melhor o meu ciclo menstrual, minhas mudanças e minhas oscilações durante esse período, e até plantar a lua… Até que, ooops, eu não tenho ciclo menstrual, meu sangramento é “fake”! E agora?

Para muitas mulheres, a menstruação é sagrada, é uma forma de se identificar com o Self, ainda que menstruar não seja condição sine qua non para ser uma mulher. Por ter essa importância ao nosso corpo, os cientistas que inventaram a pílula combinada fizeram questão de simular a menstruação todo mês, como já disse em outro tópico.

Porém, a única forma de tê-la novamente seria ao utilizar métodos contraceptivos sem hormônios, o que, para muitas, e para mim, não é tão viável. Viverei com esse dilema, ou melhor, com essa vontade de ter um ciclo menstrual, mas, no fim das contas, o método contraceptivo está à frente desse desejo, por trazer mais benefícios do que malefícios, para mim.

A indústria farmacêutica e seus vergonhosos testes em animais

Eu escrevo demais, gente do céu. Mas já está acabando!

Por ser vegana, é claro que já escutei pessoas me questionarem sobre o uso de remédios alopáticos, pois todo laboratório farmacêutico faz testes em animais. E, no meu caso, que não tomo o “anti” por ter ou para prevenir alguma doença, é como se, deliberadamente, eu escolhesse fazer o uso de alguma coisa não essencial que explora os animais.

Como exemplo, eu passei a tomar somente suplementos vitamínicos veganos. Também recorro à medicina alternativa antes da tradicional. Mas o que me segura no “anti”?! É muito difícil, mas eu me acomodei com os benefícios que ele me traz, principalmente no quesito pele/oleosidade. É triste, mas eu admito que só não migrei para o DIU (ou para o implante) pelo medo de a pele pipocar espinhas (traumas da vida). Porém, eu voltei a cogitar essa migração, e agora me sinto mais segura depois de ter lido bastante sobre o tema.

Sobre a vida natureba e os hormônios: acredito que tudo deve ser colocado na balança antes de tomarmos qualquer decisão. Tenho certeza de que uma gravidez não planejada me traria mais malefícios do que algum efeito negativo que sinto ao usar um contraceptivo hormonal. E por eu ser fértil e estar em um relacionamento estável, preciso considerar isso antes de simplesmente abolir o contraceptivo. Da mesma forma, atualmente existem métodos com baixíssimo teor hormonal, que talvez não sejam capazes de deixar o nosso corpo antinatural.

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Referências

¹, ² , ³ e [4]: DAHL, Ellen Stokken; BROCHMANN, Nina. Viva a vagina! São Paulo: Editora Paralela, 2017.

DAHL, Ellen Stokken; BROCHMANN, Nina. Viva a vagina! São Paulo: Editora Paralela, 2017.

Consultas (último acesso: 23.08.2020)

https://www.todamateria.com.br/ciclo-menstrual/

https://www.todamateria.com.br/metodos-contraceptivos/

https://helloclue.com/pt/artigos/sexo/tudo-sobre-as-progestinas-progestagenios

https://www.mdsaude.com/ginecologia/anticoncepcionais/minipilula/

https://www.dw.com/pt-br/os-60-anos-da-p%C3%ADlula-que-revolucionou-o-mundo/a-53372914

https://www.bbc.com/portuguese/geral-41506860

https://www.vivasuavida.com.br/pt/metodos-contraceptivos/contraceptivos-longa-duracao/implante-contraceptivo/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fator_V_de_Leiden