Foto: Centro de Ayurveda

Já aprendemos a cuidar dos cabelos e das unhas de forma natural. Agora é a vez de deixarmos cosméticos agressivos, tóxicos e ineficazes de lado, nos cuidados com a pele do nosso rosto e com os nossos dentes. Vamos lá!

Sobre a acne

Como já relatei por aqui, passei a ter problemas com a acne e com a produção excessiva de sebo na adolescência e, desde então, já gastei muito dindin com consultas em dermatologistas e com remédios tradicionais, porém, na maioria das vezes, sem obter resultados satisfatórios.

Acredito que, de tanto usar sabonetes antiacne, eu acabava retirando todo o óleo produzido naturalmente pelo meu rosto e, talvez como uma forma de compensar essa perda, ele acabava produzindo mais sebo – minha pele ficava tão oleosa que chegava a brilhar!

Da mesma forma, alguns produtos bons para o combate à acne, como a água termal, vêm em embalagens nada sustentáveis, e a grande maioria das marcas que os comercializa ainda faz testes em animais.

Sobre o envelhecimento da pele

É impressionante o quanto a indústria da beleza e a velhofobia mexem com a nossa psique. Como já escrevi em diversos textos por aqui, envelhecer é como cometer um crime, para nós mulheres. A busca pela juventude eterna faz com que mulheres de vinte e poucos anos procurem consultórios dermatológicos para fazerem “botox preventivo”. Já li diversas vezes que precisamos passar cremes antirrugas aos 25 anos e, se perdermos esse timing, só plásticas para “resolver o problema” (grrr).

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Eu sempre fiz um pacto comigo mesma para nunca me deixar seduzir por procedimentos estéticos desnecessários. Porém, isso não me tornaria uma pessoa negligente com os cuidados com o meu rosto. Ao contrário, por ter tendências a ter pintas e sardas, eu passei a evitar o sol de todas as formas possíveis. Passava protetor solar com fator 60 para cima. Tomei um anticoncepcional fortíssimo por 5 anos, só para evitar espinhas. E, finalmente, quando chegou o momento, comprei um anti-aging cheio de porqueiras – eu o passava todos os dias pela manhã, tentando não refletir muito sobre os seus componentes… Até que veio o despertar pela cosmeteria natural e minha vida mudou, radicalmente, para melhor! 😊

Sobre os protetores solares

Desde 2008, eu usava o protetor solar “toque seco” da Episol. Eu me sentia orgulhosa por valorizar uma empresa nacional e que afirma não fazer testes em animais. Perdi a conta de quantas vezes eu recomendei os protetores solares da Episol para a galera. E, realmente, eles são muito bons em alguns aspectos –  minha pele do rosto não ficava mais vermelha e não descascava mais (quando eu me torrava por 8h direto… Mineira em praia, né, rsrs); o toque seco é real, ele nunca obstruiu os meus poros; durava uma eternidade, mesmo que eu o passasse todos os dias e de 2h em 2h (ou até menos) quando estava na praia.

Até que um dia, quando estava pesquisando sobre sustentabilidade para o meu trabalho, eu me deparei com uma notícia devastadora: protetores solares são um dos maiores poluentes dos mares e dos oceanos, capazes até de destruírem recifes de corais, enfraquecerem algas essenciais e intoxicarem diversos animais marinhos. Não obstante, algumas substâncias químicas, como a oxibenzona, também podem causar “danos celulares e desequilíbrios hormonais” em nosso corpo¹.

Branqueamento de corais causado por substâncias presentes nos protetores solares. Foto: Shock

Infelizmente, um dos primeiros componentes do Episol é exatamente a oxibenzona (benzofenona-3 ou BP-3). Porém, não é só ela a vilã: segundo o blog “Lookaholic”, muitos dos protetores convencionais possuem o Ácido 4-aminobenzoico (PABA), que pode gerar de reações alérgicas à predisposição para o câncer; o Palmitato de retinila (palmitato de vitamina A), que também pode gerar mutações celulares e causar o câncer de pele; a Ensulizole (phenylbenzimidazole sulfonic acid), que pode ensejar a produção de radicais livres e, então, possui um potencial cancerígeno; e a Octinoxate, que pode causar disfunções endócrinas.

Ademais, os protetores convencionais também estão cheios de silicones bioacumuláveis, conservantes potencialmente tóxicos, e outros compostos químicos que possuem nomes bizarros de mais de 20 caracteres.

Eu acabei me vendo em um beco sem saída, pois os protetores considerados “menos piores” eram todos de marcas que ainda fazem testes em animais. Encontrei alguns bons, mas só em sites internacionais. Até que pensei, não pode ser, eu tenho que achar alguma coisa que preste por aqui mesmo. Foi então que, antes de encontrar a luz no fim do túnel, eu aprendi a diferença dos protetores solares químicos e físicos.

Os protetores solares físicos eram bem comuns lá em mil novecentos e bolinha, quando a preocupação com a proteção contra os raios UVA e UVB se tornou uma recomendação das agências de saúde pública de diversos países. Os protetores físicos possuem compostos minerais (como o dióxido de titânio e o óxido de zinco) que formam uma barreira refletora em nossa pele, e impedem que os raios solares nela penetrem. Sabe quando nós passávamos o protetor solar e ficávamos com a pele toda branca e impregnada? Essa é a barreira! Pois isso acabou se tornando um incomodo a muitas pessoas, e foi aí que a indústria química e farmacêutica desenvolveu os protetores solares químicos, cujos compostos que agem contra os raios solares são absorvidos por nossa pele. Estes compostos, então, absorvem os raios UVA e UVB e conformam a proteção do tecido cutâneo.

Os bloqueadores solares físicos costumam ser mais naturais e, portanto, menos agressivos ao nosso corpo e ao meio ambiente. É bom lembrar que os bloqueadores físicos não possuirão um FPS maior que 30. Porém, este já é suficiente para proteger bem a nossa pele.

Atualmente, com tecnologias mais avançadas, eles estão mais fluidos e não deixam a nossa pele esbranquiçada. Da mesma forma, eles possuem efeito imediato e não precisam ser passados com tanta frequência como os químicos (claro, se não nos molharmos ou suarmos demais). O único problema é o preço: eles são mais caros que os convencionais e não são encontrados, com tanta facilidade, nas farmácias e em lojas de cosméticos. É mais difícil ainda encontrar um que não faça testes em animais, seja vegano e não possua outros compostos ruins. Mas eu encontrei. Logo falarei dele!

Sobre o flúor

Ah, o flúor. Esse assunto já rendeu bastante aqui em casa (rsrs). Leo é filho de dentista e um grande questionador das pastas de dente sem flúor. Por outro lado, eu passei a crer que o flúor nos cremes dentais é, no mínimo, desnecessário, já que a nossa água é floreteada e em níveis bem altos, se comparamos com países europeus, por exemplo. Ademais, o flúor está presente de forma natural no ar, na terra e na água. Dessa forma, nós já temos o contato com este elemento químico de diversas formas. Precisamos, mesmo, escovar os dentes 3x por dia com um dentifrício com flúor?

Até que um dia, resolvemos abrir artigos acadêmicos de odontologia e encontramos consequências ruins para o excesso de flúor na infância, como o enfraquecimento dos dentes e a formação de manchas brancas (fluorose dentária). Enquanto isso, para os/as adultos/as, o assunto segue bem controverso, apesar de muitos trabalhos científicos já apontarem que a intoxicação por flúor é algo preocupante e precisa ser levada em conta nas recomendações médicas/odontológicas.

Contudo, o flúor não foi o único fator que fez com que eu passasse a elaborar a minha própria pasta de dente. Simplesmente todas as marcas convencionais fazem testes em animais. Muitas delas possuem aqueles compostos tóxicos, bioacumuláveis e desnecessários, como parabenos e o BHT, ingredientes de origem animal, e agentes abrasivos e antimicrobianos extremamente agressivos e alergênicos, como o triclosan (vamos falar mais dele no texto de cuidados corporais). Só para adiantar um pouquinho, o triclosan tem umas das piores notas na EWG, já que pode causar a desregulação endócrina; é bioacumulativo; é tóxico ao sistema de órgãos não reprodutivos; e pode causar irritação e problemas de contaminação (tradução livre).

Porém, nem tudo está perdido. Já existem diversas pastas de dentes naturais, veganas e excelentes no mercado; mas elas ainda contam com um inconveniente: as embalagens. Para vivermos de forma sustentável, é mister evitarmos o consumo excessivo de embalagens plásticas. E cada vez que eu jogava fora um tubo de pasta de dente, sem saber realmente se aquilo iria para os centros de reciclagem, eu me sentia bastante mal. Portanto, apesar de ainda utilizar pasta de dente entubada (natural e vegana, claro), eu a conjugo com a minha receita caseira.

Sem mais delongas, vamos para as receitas e para as dicas!

Cuidados com o rosto

Demaquilante Bifásico

Quando fiz essa receita pela primeira vez, não coloquei tanta fé de que ela removeria bem a maquiagem. Mas eu me surpreendi. Com apenas 2 ingredientes que já temos em casa, fiz o melhor demaquilante da vida. Outro truque que também aprendi é que óleos vegetais, como o de amêndoas, são excelentes removedores. Não tem mais motivo para comprar removedores de maquiagem industrializados!

A receita:

Você pode usar água de aloe vera ou água filtrada mesmo, juntamente com azeite. A água de babosa é feita ao bater a sua polpa com água filtrada no liquidificador, até se tornar um líquido homogêneo.  Vou falar mais sobre a aloe vera – babosa – daqui a pouco!

Assim, em um frasco, coloque 3/4 de água filtrada (ou da água de aloe vera) com 1/4 de azeite de oliva extravirgem. Por exemplo, para 60ml de demaquilante, teríamos 15ml de azeite e 45ml de água.

Eu adicionei uma gotinha de gerânio, o que acrescentou propriedades e um cheirinho ótimo.

É importante, antes de usar essa demaquilante, que o agite bem. Você pode reaproveitar uma embalagem antiga de demaquilante ou colocá-lo em um recipiente spray.

Na hora da remoção, faça mais uma pequena revolução na sua vida: use sempre os disquinhos de crochê, no lugar de discos de algodão. Os discos de crochê podem ser encontrados em sites de produtos naturais ou em feiras livres naturais.

Sobre os sabonetes faciais:

Eu era a louca dos sabonetes faciais antiacne. Dormir sem lavar o rosto com eles era quase um pecado. Desde que migrei para a vida natureba, eu tenho retirado a maquiagem com o demaquilante bifásico e lavado o rosto só com água ou um pouquinho de sabonete glicerinado natural e vegano, o mesmo que uso para o banho.

Sérum antirrugas

Com apenas duas preciosidades, e algumas gotas de óleos essenciais, podemos fazer um sérum de qualidade excepcional em casa.

O óleo de rosa mosqueta é um excelente hidratante e rejuvenescedor cutâneo. Também é ótimo para o tratamento de manchas na pele, inclusive melasmas. Ademais, ele aumenta a elasticidade da pele e consegue atenuar olheiras e bolsões na região dos olhos. Ele é rico em ômegas 6 e 9 e em vitaminas A e C.

O óleo de jojoba é um querido para as peles acneicas. Ele se assemelha muito ao sebo humano, portanto, é facilmente absorvido pela nossa pele. Além de não obstruir os poros, ele ainda ajuda a regular a oleosidade. Também possui propriedades hidratantes e antienvelhecimento. Ademais, ele é rico em vitaminas A, B e E.  

É mister observar que o óleo de rosa mosqueta é fotossensibilizante, portanto, devemos utilizar esse sérum pela noite, e lavar o rosto pela manhã.

O óleo essencial de ylang ylang é ótimo para peles oleosas, pois ajuda a regular a sua produção de sebo. Também é capaz de atenuar linhas de expressão.

O óleo essencial de gerânio é um ótimo regenerador cutâneo. Ele aumenta a elasticidade da pele e, então, é capaz de atenuar rugas e linhas de expressão. Também funciona como tônico e adstringente, portanto, é ótimo para peles oleosas.

O sérum ficou excelente na embalagem roll-on, pois já o passamos enquanto massageamos a pele do rosto. Porém, pode também ser usada uma embalagem conta-gotas.

A receita:

Em um recipiente âmbar (roll-on ou conta-gotas), adicione 10ml óleo de rosa mosqueta com 10ml de óleo de Jojoba. Então, adicione 5 gotas de óleo essencial de gerânio e 4 gotas de óleo essencial de ylang ylang.

Hidratante facial para peles oleosas e acneicas

A receita desse hidratante é um pouco mais complexa, pois é necessário utilizar uma base neutra. É importante que essa base seja natural e não oleosa.

Resolvi fazer esse hidratante para ser utilizado durante o dia, e para prevenir o acúmulo de sebo pela minha pele, especialmente agora, que parei de tomar o anticoncepcional.

A glicerina vegetal é ótima para evitar a perda de água pela pele, o que contribui para a hidratação e a manutenção da elasticidade.

A manteiga de manga é um hidratante toque seco, o que não deixa a pele com aspecto oleoso. O seu índice de comedogenicidade também é baixo. Ela auxilia no combate ao envelhecimento da pele e consegue tratar rugas e linhas de expressão.

O óleo de pracaxi tem uma alta capacidade de renovação celular, o que contribui para evitar o envelhecimento da pele. Ele também a deixa mais sedosa, sem obstruir os poros. Ele é rico em ácido behênico, que possui ação condicionante e suavizante à pele e aos cabelos.

A aloe vera é uma benção para a nossas peles e para os nossos cabelos. Lembro-me de quando era criança, minha mãe fazia uma hidratação capilar semanal com a babosa, e o cabelo ficava mesmo maravilhoso. Essa suculenta é uma preciosidade que precisamos resgatar nos cuidados diários!

Na pele, ela é excelente hidratante, calmante, tônico, suavizante e restaurador cutâneo. Contém, naturalmente, vitaminas A, C e E, além de minerais como zinco, selênio e cromo.

A Hamamelis possui ação adstringente, descongestionante, antioleosidade a antiacne.

Tanto para a aloe vera, quanto para a Hamamelis, utilizei o extrato glicerinado.

O óleo essencial de petitgrain é um tonificante perfeito para peles oleosas, além de ter um cheirinho incrível.

O óleo essencial de cipreste é um ótimo adstringente para peles oleosas, além de combater o excesso de sudorese.

O óleo essencial de junípero é um “óleo purificador”, portanto, pode ser usado para desobstruir os poros cutâneos.

A receita:

  • 20 g de creme facial neutro
  • 10g de glicerina vegetal
  • 1 g de manteiga de manga
  • 2 g de óleo de jojoba
  • 1 g de óleo de pracaxi
  • 1,7 g de extrato glicerinado de aloe vera
  • 1,7 g de extrato glicerinado de hamamelis
  • 5 gotas de o.e de cipreste
  • 5 gotas de o.e de petitgrain
  • 5 gotas de o.e de junípero

Em um béquer, derreta rapidamente a manteiga de manga e desligue o fogo. Adicione os óleos vegetais e o creme neutro e a glicerina. Espere a mistura esfriar e adicione os extratos de aloe vera e Hamamelis. Por fim, adicione os óleos essenciais e armazene em um potinho.

Por ser bem concentrado, deve-se passar bem pouquinho no rosto, e não precisa ser todos os dias.

Manteiga labial para lábios secos

Nada melhor para hidratar lábios secos e com rachaduras como a manteiga de cacau.  Ela consegue reter a umidade natural da pele, além de ter propriedades emolientes e antioxidantes. Porém, incrementei mais a receita para ficar ainda melhor!

A manteiga de ucuuba tem ação anti-inflamatória, cicatrizante e antisséptica.

A manteiga de cupuaçu consegue recuperar a umidade e a elasticidade natural da pele, portanto, é excelente para peles secas.

O óleo de coco mantém a hidratação natural da pele, além de ser um potente anti-inflamatório e antimicrobiano, por ser rico em ácido láurico.

O óleo de macadâmia contribui para a hidratação da pele, além de ser um ótimo antienvelhecimento.

O óleo essencial de benjoim é perfeito para a pele ressecada, inflamada e rachada pelo frio.

O óleo essencial de palmarosa tem ação reidratante a umectante, portanto, é ótimo para peles secas.

Essa manteiga fica com uma consistência ótima, mesmo em dias mais quentes.

A receita:

  • 1 colher de chá de cera de carnaúba (ou de candelila)
  • 1 colher de sopa de manteiga de cacau
  • 2 colheres de chá de manteiga de ucuuba
  • 1 colher de chá de manteiga de cupuaçu
  • ½ colher de sopa de óleo de coco
  • ½ colher de sopa de óleo de macadâmia (ou de semente de uva)
  • 2 gotas de óleo essencial de benjoim 2 gotas de óleo essencial de palmarosa

Em um béquer, derreta a cera de carnaúba e desligue o fogo. Adicione as manteigas vegetais e mexa bem. Se for necessário ligue o fogo novamente, até ficar tudo homogêneo. Adicione os óleos vegetais e, quando a mistura estiver mais fria, adicione os óleos essenciais. Armazene-a em um potinho.

Máscara facial para pele oleosa (1x por semana)

Toda semana faço uma máscara facial com argila. As melhores para as peles oleosas são a verde, a cinza e a marrom. Existem várias outras argilas com propriedades maravilhosas também. Escrevi mais sobre elas neste texto.

Para deixar a mistura mais grossinha e bem pastosa, adicione a água aos poucos. Uma dica muito boa que aprendi foi usar hidrolatos no lugar da água, o que confere mais propriedades ainda à máscara.

Mas o que são hidrolatos???

São a água que sobra quando da destilação de um óleo essencial. Assim, ela não contém todas as propriedades do óleo essencial, mas aquelas que são mais hidrossolúveis. Elas possuem um cheiro mais suave, mas muito agradável; e possuem propriedades antissépticas e anti-inflamatórias, portanto, são excelentes tônicos cutâneos.

Acredito que elas substituem bem o papel da água termal.

A receita:

Para 1 aplicação, geralmente 1 a 2 colheres de chá de argila são suficientes. Porém, é muito difícil passar a quantidade certa de água/hidrolato, porque cada argila tem uma consistência diferente. O segredo é, então, colocá-la aos poucos.

Quanto mais grossa ficar a mistura, mais tempo ela demorará a secar no rosto. 10 a 15 minutos são suficientes para ficar com a máscara. Mais que isso pode começar a ser prejudicial à pele.

Também pode ser adicionada 1 gota de óleo essencial a escolha (utilizo muito o de tea tree). Só não recomendo os cítricos, pois eles são fotossensibilizantes.

Passe no rosto com o auxílio de uma espátula.

Esfoliante para rosto e corpo

Lembro que quando comecei a ter espinhas na cara, mamis me passou umas receitas bem bacanas, como uma esfoliação de mel e açúcar cristal.

Uma década depois, cá eu estou a resgatar essas receitas de esfoliação natural, só que agora veganas. Descobri essa do café que é realmente maravilhosa. O café tem excelentes propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, adstringentes e hidratantes. A esfoliação com o seu pó ou seu grão moído ajuda na renovação celular. O azeite é rico em vitaminas A, D, E e K, e é também um excelente antioxidante, e pode ser usado em peles oleosas, já que tem um baixo índice de comedogenicidade.

Porém, se preferir, você pode usar água ou hidrolato no lugar do azeite.

Se você fizer essa receita com o pó de café seco, pode guardá-la em um potinho e usar por mais vezes; se for com a borra, deve ser feita uma quantidade para uso único.

A receita:

Para uma única vez:

  • 1 colher de sopa de café em pó ou da borra de café
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva ou água

Adicionar 1 gota de óleo essencial de sua preferência, mas o de melaleuca (tea tree) será perfeito, já que possui propriedades antimicrobianas, antifúngicas e antissépticas. 

Para ter em um potinho:

  • 2 colheres de sopa de café moído seco
  • 2 colheres se sopa de azeite de oliva extravirgem
  • 1 gota de óleo essencial de olíbano (ótimo para a regeneração celular), 1 gota de óleo essencial de junípero e 2 gotas de óleo essencial de lavanda(ou de tea tree).

Dicas

Protetor solar da Bioart

O protetor solar da Bioart é inovador, e talvez seja o único protetor físico (com ativos minerais), vegano, natural e com tecnologia avançada no mercado brasileiro.

Não obstante seja livre de componentes tóxicos e de origem animal, a sua embalagem também é sustentável, pois é feita com matéria-prima 100% reutilizada, proveniente da cana-de-açúcar. Além de proteger a pele contra os raios UVA e UVB, ele contém componentes naturais, como o óleo de açaí e o de jojoba, que hidratam a pele e previnem seu envelhecimento.

Ele é feito para todos os tipos de pele, para todas as raças e todos os gêneros. Não deixa a pele esbranquiçada e tem toque seco. Em suma: uma benção.

Por ser tão caro, sei que ele não é uma opção viável para muitas pessoas. A marca Shock também faz excelentes protetores físicos e veganos, com preços muitos acessíveis, porém eles são coloridos. É uma boa opção para darmos uma surfista, protegermos a pele na praia e nos divertimos com as cores.

Água biológica no lugar da água termal

A água biológica da Livealoe é perfeita para peles oleosas e acneicas. Ela é totalmente natural e as embalagens são mais sustentáveis do que aquelas com aerossol das águas termais. Recentemente, estavam começando a surgir algumas espinhas, apliquei a água biológica com mais frequência e elas não brotaram. Ela também hidrata, suaviza e acalma a pele, e pode ser usada como pós-barba e pós depilatório. ❤

Elixir Vitamina C da Two One One Two

A vitamina C está bastante em alta para os cuidados com a pele. Por ser uma matéria-prima cara e de manipulação mais complexa, decidi não elaborar, por conta própria, cosméticos com ela. Encontrei esse sérum que, além de natural, vegano e sustentável, é excelente, deixa a pele com um aspecto mais vívido, e pode ser usado pela manhã ou como preparação para maquiagem.

Cuidados com o Sorriso 😀

Pasta de dente

As pastas de dente caseiras são cada vez mais utilizadas para quem busca uma vida mais natural e sustentável. Existem ingredientes naturais com propriedades adstringentes e antissépticas incríveis, mas que, infelizmente, não são muito conhecidos pela medicina convencional.

O pó de juá é obtido a partir da casca do juazeiro, uma árvore muito comum na região nordeste do Brasil. Ele sempre foi utilizado pelos povos autóctones na higienização da pele e dos cabelos. Por isso, reafirmo que é muito importante que resgatemos conhecimentos ancestrais, para não nos tornamos reféns de indústrias que visam, antes de tudo, ao lucro.

A cúrcuma também possui propriedades antissépticas e antibióticas, portanto, é ótima na elaboração da pasta de dente caseira. O único problema é que ela tem uma forte pigmentação, o que pode não ser adequado para quem tem resina nos dentes.

O carvão ativado vem sendo muito utilizado na clareação dos dentes, às vezes de forma exagerada, o que pode causar mais malefícios do que benefícios. Por isso, eu hesitei até finalmente elaborar uma pasta de dente com ele, e coloquei o limite de utilização por, no máximo, 2x por semana.

Como cada pessoa tem suas particularidades, portanto, é importante ter uma conversa com o/a dentista de confiança sobre a pasta de dente caseira (mas algum/a que tenha a cabeça mais aberta, é claro!).

Você também pode conjugar o uso da pasta industrializada – a mais natural possível – com a caseira, como eu faço. Isso já contribui bastante para a geração de menos resíduos. E é importante lembrar que nada substitui o uso diário do fio dental, por no mínimo 1x por dia (ainda não encontrei um substituto mais sustentável para ele, mas como ele é mais que essencial, não podemos abrir mão).

Tentei elaborar uma receita que se assemelhasse à consistência da pasta tradicional. Vi muitas receitas de “pó dental” ou “pasta sólida” que não me animaram muito. O óleo de coco tende a ficar líquido em temperatura acima de 23 graus celsius e, mesmo com os demais ingredientes que coloquei para dar uma maior consistência, a pasta pode ficar líquida e não homogênea. Se isso acontecer, basta deixá-la um pouco na geladeira antes de utilizar. Da mesma forma, se você fizer uma quantidade maior, deixe a que não estiver em uso na geladeira, pois isso aumenta a sua durabilidade.

Eu me inspirei na pasta Boni Natural, que tem o carbonato de cálcio como principal adstringente. Mas se você não quiser comprá-lo, pode utilizar somente o bicarbonato de sódio com o juá ou a cúrcuma, para uso diário; ou com o carvão, para 1x ou 2x na semana.

O xilitol é um ótimo agente anticáries. A glicerina vegetal e a goma xantana contribuem para deixar a receita com mais cara de “pasta”. E o óleo essencial de hortelã-pimenta, além de ter o cheirinho, o gosto e a “refrescância” caraterísticos das pastas tradicionais, é um excelente antisséptico.

Coloque a pasta na escova com o auxílio de uma pazinha ou uma colher de café.

As receitas:

Com pó de juá (uso diário)

  • 2 colheres de sopa de óleo de coco
  • 1 colher de chá de glicerina vegetal
  • 1 colher de chá de goma xantana
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de carbonato de cálcio
  • 1 colher de chá de pó de juá
  • 2 colheres de chá de xilitol
  • 4 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta
  • 4 gotas de óleo essencial de tea tree

Com cúrcuma (uso diário – cuidado com pigmentação em dentes com resina)

  • 2 colheres de sopa de óleo de coco
  • 1 colher de chá de glicerina vegetal
  • 1 colher de chá de goma xantana
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de carbonato de cálcio
  • 1 colher de chá de cúrcuma
  • 2 colheres de chá de xilitol
  • 4 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta
  • 4 gotas de óleo essencial de tea tree

Com carvão ativado (2x por semana)

  • 2 colheres de sopa de óleo de coco
  • 1 colher de chá de glicerina vegetal
  • 1 colher de chá de goma xantana
  • 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
  • 1 colher de chá de carbonato de cálcio
  • 1 colher de chá de carvão puro ativado
  • 2 colheres de chá de xilitol
  • 4 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta
  • 4 gotas de óleo essencial de tea tree

Com o auxílio de um fuet ou de um mixer, misture bem o óleo de coco, a glicerina e a goma. Posteriormente, adicione o carbonato, o bicarbonato, o juá (ou a cúrcuma ou o carvão) e o xilitol, sempre mexendo bem, até ficar o mais homogêneo possível. Por fim, adicione os óleos essenciais.

Sobre as escovas de dente plásticas

É muito urgente que deixemos de produzir tanto lixo plástico, e as escovas de dente tradicionais são péssimas nesse quesito. Imagina quanto lixo já geramos, ao longo de nossas vidas, ao comprarmos centenas de escovas de dente com cabos plásticos, os quais não temos certeza de que são realmente recicláveis ou reciclados.

Por isso, é urgente que revejamos tais hábitos, e as escovas com cabo de bambu são uma excelente alternativa. Elas estão cada vez mais populares (demos graças às deusas!!) e podem ser encontradas em mercados naturais e até em farmácias. O cabo de bambu é compostável e biodegradável. Já as cerdas, que são plásticas, podem ser separadas e colocadas no lixo reciclável.

Link para comprar a pasta Boni em lote

Link para comprar escova de bambu em lote

Enxaguante bucal

Eu nunca gostei de usar esses enxaguantes bucais… Acho-os agressivos, desnecessários e sei lá, dão-me uma lembrança de amigdalite (rsrs), além de gerarem mais e mais lixo. Mas eu resolvi elaborar um natural, que uso de vez em quando:

A receita:

  • ½ xícara (de chá) de água filtrada ou destilada
  • 2 colheres de chá de bicarbonato de sódio
  • 2 gotas de óleo essencial de melaleuca (tea tree)
  • 2 gotas de óleo essencial de hortelã-pimenta
  • 1 gota de óleo essencial de cravo (é um ótimo antisséptico também).

Obrigada por chegar até aqui! E nos vemos em breve, com mais reflexões e dicas de cuidados naturais.

¹Natgeo – Acesso em 23.09.2020

Consultas

https://lookaholic.wordpress.com/2012/09/26/o-que-tem-nos-ingredientes-do-meu-protetor-solar/

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/13-consuma-consciencia/2199-o-que-e-palmitato-de-retinol-funcao-beneficios-riscos-vitamina-a-olhos-visao-pele-protetor-solar-bronzeador-cancer-radicais-livres-pesquisa-prevencao-dermatologista.html

https://www.uol.com.br/universa/listas/filtros-solares-fisicos-ou-quimicos-saiba-qual-e-o-melhor-para-a-sua-pele.htm#:~:text=O%20filtro%20solar%20qu%C3%ADmico%20tem,que%20reflete%20os%20raios%20solares.

https://lookaholic.wordpress.com/2017/02/23/protetores-solares-com-menos-quimicas-perigosas-para-a-saude/

https://lookaholic.wordpress.com/2012/11/08/sobre-oleos-vegetais-para-peles-oleosas-e-comedogenicidade-parte-1/#:~:text=A%20escala%20de%20comedogenicidade%20mede,seja%2C%20menor%20a%20possibilidade%20de